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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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LOLA ARIAS
( ARGENTINA )

 

Nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1976.
É escritora, diretora de teatro e artista visual.

 

INIMIGO RUMOR – revista de poesia.  Número 10 – maio 2001.  Editores: Carlito Azevedo, Augusto Massi.   Rio de Janeiro, RJ:  Viveiros de Castro Editora, 2001.  124 p.   ISSN 1415-9767
Exemplar bibl, de Antonio Miranda


                           TEXTOS EM PORTUGUÊS
Tradução de CARLITO AZEVEDO e ANÍBAL CRISTOBO


        AS GÊMEAS RUSSAS

   
— Matar o pai.

A gêmea beija sua irmã na boca.
Cai a neve sem pudor sobre o beijo impossível:
esse país, esse pai.

As gêmeas dançam vendadas na fronteira do ódio:
vestem bandeiras blindadas
Esse país é a Rússia ou qualquer outro.

— Matar o pai como fundar um reino:
“Planície de órfãos e lebréis”
Correm as meninas príncipe: matar, matar.

— Matar ou o teatro dos despossuídos.
Menina punhal na boca.

As gêmeas fingem o ser da tragédia
(tão primorosamente)
montam seus cavalos de ferro com loucas.

Cruzam o deserto em corcéis rumo à terra do ogro.
“Não duvidar, não temer, não cambalear”
As irmãs espiam o mar na orelha paterna

O pai pátria partido como o mapa da Europa.
Caem do desolado céu: pães, ombros, gritos.

A gêmea beija sua irmã na boca.



BERLIM

Ao predileto:

De Berlim dos anjos e das gruas
(Oh, Berlim desolada)
sinto saudades como se de um siamês.

Parva, anseio por meu duplo de sangue, meu predileto
[amante: o iludido.)
De Berlim envio-te minhas propostas maritais:
Oh, inválido irmão, casas comigo?

O pai ossudo me espia:
devemos casar às escuras.
Eu vestirei as roupas do homem e tu também.

Escrevo o postal do deserto:
“Nos cemitérios penso em ti”
e este apêndice é sincero.

Vou fugindo no trem de Berlim à neve
com casaquinho e maleta de enfermeira em desuso,
levo Mãe-Oswalda num pequeno frasco, só para ti.

O inverno ultraja meu pulmão em miniatura:
deves vir por mim ou morrerei.

De Berlim do talho te imploro,
irmão do leste,
que me dês um filho ou um cachorro idêntico a mim.

Vou te caçar, primor, onde quer que te encontres
e formaremos a família inverossímil:
tu, eu, o cachorro e os meninos retardados.

As núpcias no trem da tragédia:
iremos travestido com os olhos vendados.
Beijaremo-nos e nos jogaremos do trem.

De Berlim dos órfãos,
desafio-te a um duelo de nomes.
Teu nome contra o meu em uma boda de irmãos.

Comprei um bebê no zoológico
e morreu em minhas mãos.

Estou tão sozinha em Berlim.
Há um russo no vagão que me deseja
vou deixar que me viole pensando em ti.

De Berlim do suicídio envio-te,
Oh, gêmeo adorado,
O postal de meu corpo em pedaços.

*

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Página publicada em dezembro de 2023

 


 

 

 
 
 
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